Primeiro a palavra. O nome das coisas. O que elas são. São como… São. As coisas acontecem. Simplesmente acontecem. O amor, a morte. Não posso explicá-las, não sei explicá-las. Mas acredito nelas. Creio nelas. O campo, os cavalos, o moinho, o vento, a lua. O caminho que vou trilhar. As nuvens. O homem e a mulher. Os homens. A mulher. Deus, que pôs tudo ali, tal como está.«O mundo ali à frente dos meus olhos». Porque é que nem sempre o entendo? Sou mais do que aquilo que o mundo me dá para ver. O mundo é mais do que aquilo que penso.Sou o que vejo. Sou o que vivo.
Parsifal, herói mítico surgido na tradição oral do Grande Império Persa (cujos limites se situavam entre a Líbia e o Mar do Japão), tem conhecido diversas versões, especialmente na ópera. Segundo o mito, pai e mãe prenderam Parsifal numa floresta para que nunca viesse a ser um cavaleiro, nem encetasse qualquer demanda. Não obstante, parece ter sido ele o único a obter o Graal (traduzido por uns como sangue real). Em O sorriso de Parsifal, o herói assume o significado do seu nome: «aquele que é partido pela metade». Escreve, faz da Líbia a sua demanda, cospe sangue. E acaba por se afirmar como Madame Butterfly, já que também morre por amor (Mesmo? E a mentira de quem sente? E a ironia de quem escreve?).
Ao lusco-fusco rarefeito, apercebemo-nos da necessidade que estas personagens têm de se esconderem das suas vontades e dos seus sonhos. Encontramos um Vânia, de meia idade, infeliz porque a vida lhe passou ao lado; uma Sónia incapaz de lutar por um amor que não lhe é correspondido; um Astrov que vive sonhando, nunca atingindo os seus objectivos no plano da realidade; um Serebriakov que, nos últimos anos de vida, se confronta com uma velhice que lhe rouba os êxitos alcançados, enquanto tinha saúde; uma Helena desiludida e encarcerada nas suas escolhas; e, finalmente, uma Marina que procura manter a estabilidade da família...
Eddie, o homem que ama. May, a mulher que quer ser amada. Martin, o que ama sem significado. O velho, a sombra que tudo sabe sobre o amor. Um amor condenado ao fracasso. Um desejo que não pode ser cumprido. O incesto que revela que o amor é mais frio que a morte, quando estamos loucos por amor.
A escolha de Loucos Por Amor deve-se ao meu interesse em trabalhar os conflitos do ser humano e a dificuldade e agressividade que existem nas suas relações, numa época onde tudo é tão rápido que não nos damos conta o quão rápida é uma relação.ENTRADA LIVRE. RESERVA OBRIGATÓRIA
21 885 41 90 / 96 801 52 51 (entre as 15h e as 18h)
Os bilhetes reservados deverão ser levantados até 1h antes do início do espectáculo