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TEATRO-CLIP

TEATRO OFICINA (GUIMARÃES) | Junho
ROMÉNIA I Junho

Teatro-clip é uma peça do Teatro da Garagem, escrita e encenada por Carlos J. Pessoa. O conceito formal que atravessa as diferentes histórias desta peça é, como se deduz do título, o conceito de clip, ou melhor, de video-clip. Um video-clip é um número musical acompanhado de imagens que suportam, interpretam, exemplificam ou contradizem esse número musical, socorrendo-se para isso de características, mais ou menos comuns, a todos os video-clips: o ritmo descontínuo e fragmentado das imagens (clip significa corte); a coexistência de diferentes planos temporais e de acção; a repetição de um leit-motiv; a urgência de uma mensagem iconográfica e sonora e de uma paisagem emocional que, embora ambíguas ou não directas, se apresentam e experienciam num curto espaço de tempo, num instante ou momento.
São estas ideias que conferem uma unidade formal e conceptual aos diferentes clips de Teatro-clip que, não obstante serem suficientemente autónomos entre si, apresentam, no entanto, um nexo comum, isto é, todos eles se constituem, de algum modo, como histórias de amor, através de um estilo que se aproxima mais do registo poético do que do registo dramático. Teatro-clip é, por isso e sobretudo, uma genealogia do que pode ser amar ou ter um projecto, que é outra forma de dizer, que o simples acto de viver e realizar acções constituem um acto de amor, mesmo que isso, às vezes, implique a morte, a espera, a ingenuidade, a angústia, a dúvida, a recusa, o êxito, a loucura desmedida e a surpresa de cada dia, que assegura a nossa existência aqui e agora.
David Antunes

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ON THE ROAD OU A HORA DO ARCO-ÍRIS

BRASIL | Junho

On the Road ou A Hora do Arco-íris é uma peça sobre a viagem de uma mulher que, no percurso entre o Cabo de S. Vicente e o Pulo do Lobo, perfaz de memórias paradas a ausência que enche a sua vida e que brota da paisagem alentejana. Viajar numa auto-caravana é algo contraditório porque é como se nunca saíssemos de casa e, por isso, esta mulher, mais do que fugir do turismo alarve, que avassala o Verão algarvio, procura um lugar que seja o seu, provavelmente sem sair do sítio. No final, vê o arco-íris no horizonte, mas, como toda a gente que viu um arco-íris já percebeu, é impossível passar para o outro lado deste arco de cor. A nossa estrada segue sempre atrás ou ao lado da luz refractada.