Fotografias de Arlindo Camacho
Jam Session
27 de Janeiro | 21h30
Jam Session é um conceito musical no qual os músicos se juntam e improvisam sem qualquer preparação, ou plano prévio. Sendo um momento criativo imprevisível vem ao encontro do espírito de investigação e experimentação presente na programação do Teatro Taborda. Assim, o Teatro da Garagem recebe no Café do Teatro, todos os meses, quatro jovens alunos da Escola do Hot Clube de Portugal para dinamizar noites musicais abertas à participação de todos.
Café da Garagem Aberto a partir das 18h | 3ª a Domingo
Teatro Taborda
O Teatro da Garagem convidou Joana Astolfi para renovar o espaço da Cafetaria do Teatro Taborda.
Joana aceitou o desafio e, a propósito desta criação, diz:
"O Café da Garagem...
Era um espaço frio, sem identidade. Uma caixa vazia. Um aquário sem água. O desafio era ressuscitar este espaço. Dar-lhe nova vida. Torná-lo confortável como uma casa. Ligá-lo ao teatro. O Café da Garagem tinha que ser uma experiência. Tinha que contar uma história.
Apesar da sua nudez, este espaço tinha uma grande virtude: uma janela aberta para as costas da cidade, da Graça à Nossa Senhora do Monte, da Mouraria ao Martim Moniz. Esta vista foi o meu ponto de partida. Para celebrar a janela aplicámos um espelho ao longo de todo o espaço que reflecte e multiplica a vista, trazendo a paisagem para dentro do Café. Outra intervenção fulcral no espaço foi a criação de uma luz quente, ténue e de ambiente através da suspensão de 32 candeeiros construídos com bolas de vidro, todas diferentes, umas compradas em mercados, outras em lojas de segunda mão, outras encontradas em casa da minha avó. Os candeeiros foram suspensos em linha, por cima das mesas corridas. Estas bolas de luz reflectem-se no espelho e, à noite, multiplicam-se pela cidade.
Aplicámos cor, tons quentes e suaves, em paredes, rodapés e cadeiras de segunda mão. Cobrimos o chão frio com tapetes. Construímos mesas com portas recicladas e cavaletes. Transformámos o banco corrido que acompanha a janela numa superfície para apoiar candeeiros criados com garrafões de vidro, plantas, objectos teatrais e binóculos que nos aproximam da cidade. Criámos um bengaleiro com 3 cadeiras. Pendurámos uma gaiola com dois periquitos e chamámos-lhes 'António' e 'Maria'. Colocámos um piano no Café para aquecer as noites com música ao vivo. Convertemos cartolas, camisas e funis em candeeiros. Transformámos uma raquete num espelho. Apresentamos as contas dentro de sapatos com uma pedra por cima: a conta é 'A Pedra no Sapato'. Criámos uma vitrina 'Muita Merda' que expõe objectos que os actores recebem nas estreias das peças. Intervimos numa pedra gigante na entrada do Teatro com miniaturas de alpinistas a fazer uma escalada. Criámos uma tela para a projecção de slides. Pendurámos uma gôndola na recepção e pusemos, à entrada, uma televisão a válvulas a passar vídeo clips das peças da Garagem. Convidámos a Dona Maria Teresa para bordar, em ponto cruz, frases soltas seleccionadas dos textos das peças. Emoldurámos uma série de objectos dentro de caixas e gavetas, com frases escritas tiradas das peças da Companhia. A relação entre os objectos e as frases homenageia o Teatro da Garagem.
O Café da Garagem, e todas as zonas de convívio do teatro Taborda, tornaram-se numa grande casa, quente, acolhedora e cheia de surpresas. Uma casa que conta a sua história ao pormenor através de objectos transformados, frases, cheiros, sabores e vistas. Uma casa habitada pelo teatro."
Joana Astolfi, Novembro 2011