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EM CENA

O Mundo Em Que Vivemos

64ª Criação do Teatro da Garagem                                                                               Teatro
17 de Novembro a 11 de Dezembro (4ª a Dom.) | 21h30

O Mundo Em Que Vivemos é o resultado de um trabalho artístico dividido em três fases.

Na primeira tratou-se de conceber e construir um conjunto de peças com uma plasticidade que fosse fruto de um fazer, sentido original da palavra Arte, em que a acção libertária do artista sobre a matéria, coincidisse com a experiência do limite físico e psicológico, não tanto de quem procura a obra prima, mas de quem tem, ou alimenta, a urgência de uma intuição verdadeira que se expressa. Esta plasticidade porosa, aberta, porque uma intuição verdadeira que se expressa nunca é a Verdade, mas o servir de uma demanda continuada, teria de ser capaz, em simultâneo, de induzir as duas fases seguintes do trabalho. A fase imagética e a fase dramática.

A fase imagética consiste em trabalhar, através de diferentes câmaras (digitais, analógicas, web-cams...), num work-flow, assumidamente artesanal, isto é, feito à mão, em que a mão não apenas resiste, mas se fere, e cicatriza ou não, escavando as múltiplas possibilidades de olhar as peças. A dupla olho/mão-máquina serve, num limiar espacio-temporal indefinido, a indução do jogo dramático, como um rastilho invisível; como uma técnica que se torna corpo e cultura, que se humaniza, de olhos fechados.

(uma palavra para a Música, para a orquestração da avassaladora cascata de notas musicais e sons que se desprendem deste nosso pequeno Mundo: essa Música, esse Bosão de Higgins, que alberga sabe-se lá que outra coisa e mais outra... A Música adormece para a morte e para o sonho como tantos perceberam antes, daí, talvez, a esperança: a Música ser a esperança, presente, do reencontro da Verdade.)

A acção dramática surge, ou ressurge, através da presença dinâmica dos Fazedores de Teatro (estão sempre presentes até durante o processo de criação solitária de cada peça - na minha mente, companheiros de solidão), num processo de revelação de aspectos inusitados das peças: o que está por detrás, dentro e/ou à frente delas. As peças são faróis desse dizer que se quer completar, dessa intuição que na circulação atroz de tantas emoções, se doa, face-a-face, como demanda.

Os Fazedores de Teatro, e a sua "pobre literatura", tão rica no contraditório entre o que se escreve, o que se diz e o que se pensa (não será o Teatro o doce fruto dessa contradição que tanto o excluí, que tanto o torna digno e único?), não falam do que se vê, ou do que não se vê, em cada peça mas do que se vive, do que se está a viver naquele momento que queremos partilhar. O Mundo Em Que Vivemos não é o Mundo que se dá a ver, mas o Mundo que aqui, agora, no momento do Teatro, tornamos nosso.

Que cada um disponha da Liberdade da Arte em exigência, prazer e saúde.
                                                                                                                                            Carlos J Pessoa


Uma criação a partir de peças de Carlos J. Pessoa com Ana Palma, Catarina Mendes, Daniel Cervantes, David Antunes, Fernando Nobre, João Belo, Maria João Vicente, Miguel Cruz, Miguel Mendes, Nuno Nolasco, Nuno Pinheiro, Sérgio Loureiro e Teresa Azevedo Gomes


Com Mais Cuidado

9 e 10 de Novembro | Teatro da Malaposta                                                                 Teatro

O Teatro da Garagem apresenta o espectáculo Com Mais Cuidado, encomendado pela Fundação Mapfre, numa parceria com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, dedicado ao público sénior.

Encenação de Ana Palma com Ana Palma, Carolina Sales, Fernando Nobre, Maria João Vicente, Miguel Mendes, Nuno Nolasco, Nuno Pinheiro e Teresa Machado.