Texto e encenação de Carlos J. Pessoa
Co-produção TNDM II e TEATRO DA GARAGEM
Sala Estúdio do Teatro Nacional D. Maria II
19 de Novembro a 19 de Dezembro
A mão registou o momento. Protagoniza-o.
A mão saberá de todos estes perigos, a mão vê?
Que traz a mão de volta na imagem, a sua vertigem, o pulsar do mundo?
A mão é cega como Édipo; a sua cegueira reside na determinação com que persegue um objectivo; essa determinação leva-a a conhecer a desdita. A mão não é amputada, apenas dispara nervosa e compulsivamente. A mão agita-se e regista, tornando-se registo contínuo. Se imaginarmos uma sequência de imagens, a partir do tópico proposto, tudo à nossa volta é Manuel na lagoa com os patinhos.
Ficarás para sempre na lagoa com os patinhos Manuel? Que condenação é esta?
O amor liberta da prisão de imagens que a mão protagoniza? Ou antes pelo contrário, formaliza o aprisionamento? Pode a abertura do amor a uma narratividade, libertar do redil cúbico da imagem? Se o snapshot, enquanto redil, alimenta o amor, as histórias narradas libertam o snapshot da sua condição inicial.
No fundo ver Manuel na lagoa com os patinhos é clicá-lo, com a mão meiga, como quem corta o cordão umbilical, só que desta vez Manuel não vem ao mundo vai com o mundo. A vantagem deste ir com o mundo não é apenas o garante da liberdade de Manuel, da tutela do amor, mas do mundo como aventura. Isto pode querer dizer que Snapshots: Histórias de Amor é um convite à liberdade e à aventura.
ACOLHIMENTO
That Pretty Pretty; or, the Rape Play
de Sheila Callaghan
24 a 28 de Novembro | 21H30
Comédia negra, num cenário minimalista. 2 Homens, 3 Mulheres. Pistolas, miúdas, wrestling com gelatina, guerra, e muita muitas profanações. Uma exploração em fragmentos das coisas que achamos realmente muito excitantes.
THAT PRETTY PRETTY… é uma peça de Sheila Callaghan em que relaciona duas mulheres com dois homens em situações extremas de abuso, sexo, poder, violência, morte, profanação e violação. Todos estes temas não são abordados nem expostos com a perspectiva de escandalizar ou chocar, pelo contrário, são apresentados muito habilmente, pondo o espectador a pensar seriamente nas situações tratadas. Há uma perícia e um jogo dramatúrgico que retira o carácter realista à peça, colocando-a a um nível de percepção por vezes de sonho, outras de pesadelo; ilusão confundida com realidade que leva o espectador a pensar em si próprio, no poder que tem e no que é exercido sobre ele.
Ficha Artística e Técnica Tradução Nuno Fernandes Encenação Nuno M Cardoso
com o apoio de Manuel Tur Direcção de Produção Sara Barbosa Produção Executiva Joana Cordoeiro Cenografia e Figurinos Paulo Capelo Cardoso Desenho de Luz Pedro Carvalho Elenco Alheli Guerrero, Diana Sá, Emílio Gomes, Nuno M Cardoso e Teresa Arcanjo Produção O Cão Danado e Companhia Co-produção Teatro Oficina / CCVF, Teatro da Garagem