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2009     JAN | FEV | MAR | ABR | MAI | JUN | JUL | AGO | SET | OUT | NOV | DEZ |

ODISSEIA CABISBAIXA

ANTÓNIO E MARIA e BELA E O MENINO JESUS

de CARLOS J. PESSOA
com Ana Palma, Carla Bolito, Carlos Silva, Diogo Bento, Fernando Nobre, Francisco Tavares, Helena Genésio, Joana Jorge, Maria João Vicente, Miguel Damião, Miguel Mendes e Teatro de Estudantes de Bragança
27 e 28 Mar. I 21h30
TEATRO MUNICIPAL DE BRAGANÇA
M/16


Bela e o Menino Jesus constitui a segunda parte do projecto Odisseia Cabisbaixa. A acção decorre agora em Marte e termina talvez na cintura de asteróides, que forma o Anel de Saturno, carrossel de detritos, monstruosidade bela e geradora de outras possibilidade, resultante da explosão de um planeta.
Em Marte e no Anel de Saturno, o espectador pode muito bem viajar para o espaço da utopia ou rever um certo Portugal de Miguel Torga, Manuel da Fonseca e Alexandre O`Neill, um Portugal de uma pobreza, que ultrapassava o material, e de uma arte que falava de um espaço fundador da própria identidade portuguesa, denunciando assim essa pobreza. No caso desta Odisseiazinha, o problema não é tanto o da erradicação da pobreza, mas a sua utilização como metáfora que denuncia um outro, muito mais actual, o de um deficit de realidade. Cada vez menos se percebe o que é real,  a presença dilui-se diariamente. O império do virtual é também o reino da ilusão, no qual a própria certeza de existirmos é uma incógnita que necessita de uma dor, ou de um belisco, para se certificar de não pairar na região sonâmbula das sombras.
Em Marte, há muito frio, neve e enormes monólitos de granito, memórias caladas da Terra, que os homens carregam como fardos. Os agricultores cultivam prodigamente batatas, sonhos de uma existência em que ainda eram heróis capazes de dormir à noite, sem o temor de acordar num mundo diferente na manhã seguinte.
Odisseia Cabisbaixa é uma metáfora do entendimento que fazemos de teatro. Trata-se de entender o teatro como acção cívica para a transformação do mundo e, nesse sentido, o teatro reconfigura a Terra (a ficção científica é, de certo modo, imaginar o futuro com os olhos no presente); quanto mais as personagens se afastam da Terra mais dela se aproximam. A companhia é a célula onde se ensaiam novos mundos numa escala laboratorial: singular e efémera, sem outro resultado que a memória que dela fica.
Quanto à possibilidade de mudança, é acreditar no trabalho e na sorte, que é como quem diz no milagre do Menino Jesus.   

CICLO TRY BETTER. FAIL BETTER '09

4. DRAMATURGIA

de Dinis Machado
11 a 22 Mar. I Quarta a Domingo I 21h30

Parto da ideia da constituição do artista enquanto processo de ficcionalização. Ser artista é para mim construir o real, recusar o modelo e formular novas hipóteses. Fazer assim uma dramaturgia do artista, é retirar o tema e constituir a estrutura enquanto forma e conteúdo simultâneos, é pensar o que é à partida um dado adquirido, problematizá-lo e torná-lo significante. Considero que o processo de ficcionalização não depende da fuga ou descolagem do real, mas da sua articulação e consciencialização. Partirei assim para um processo de dramaturgia do “artista” assumindo-o como um outro, como um objecto que construo num gesto auto reflexivo, idealizando-me – artificializando-me.
 

EXPOSIÇÃO

INUIT

de Rita Castro Neves
5 Mar. a 5 Abr. I das 18h30 às 24h


Na série de fotografias Inuit um casaco invernoso é usado em situações quotidianas por uma figura feminina. Muito embora o casaco-invólucro seja sempre o mesmo, um olhar atento revelará que as mulheres que o incorporam são diferentes. O inusitado está aqui na minúcia. Encenadas para a câmara, as situações em retrato apenas aparentemente são banais. Uma tensão latente vai-se tornando cada vez mais pre sente, à medida que as situações se sucedem. Funcionando como dípticos, ao lado de cada retrato surge uma fotografia de paisagem. A paisagem é simultaneamente um cenário alternativo e uma espécie de espelho ou representação visual do estado de espírito da personagem - numa lógica romântica. Mas também aqui as paisagens enganam. A coerência estética e composicional do conjunto das imagens aproxima paisagens de locais tão diversos como o Porto, Berlim, Angoulême e Braga, numa geografia nova e descaracterizada. Mais uma vez se sublinhando a ideia de que a deslocação que aqui tem lugar é a que se passa no interior do casaco – numa pesquisa sobre a espessura emotiva da pessoa humana.

CLUBE DE TEATRO JOVEM

Orientação de Ana Palma e Miguel Mendes.
Serviço Educativo do Teatro da Garagem

CLUBE DE TEATRO SÉNIOR

Orientação de Maria João Vicente.
Serviço Educativo do Teatro da Garagem