de CARLOS J. PESSOA
3 e 4 Jul. I
18h30
TEATRO MUNICIPAL S. LUIZ
M/12
António e Maria resume o amor impossível. Na primeira parte do espectáculo assistimos a uma sucessão de quadros delirantes que invocam a Carne numa celebração trágica. Na segunda parte a Lua derrama a sua luz sobre a Terra distante, espécie de elegia de tudo o que passa sem ficar. Um cavalo atravessa a cena convidando-nos a continuar a Odisseia Cabisbaixa, após um jantar volante no Jardim de Inverno do São Luiz Teatro Municipal.
Bela e o Menino Jesus constitui a segunda parte da Odisseia Cabisbaixa. A acção decorre agora em Marte e termina talvez na cintura de asteróides, que forma o Anel de Saturno, carrossel de detritos, monstruosidade bela e geradora de outras possibilidade, resultante da explosão de um planeta.
Em Marte e no Anel de Saturno, o espectador pode muito bem viajar para o espaço da utopia ou rever um certo Portugal de Miguel Torga, Manuel da Fonseca e Alexandre O`Neill, um Portugal de uma pobreza, que ultrapassava o material, e de uma arte que falava de um espaço fundador da própria identidade portuguesa, denunciando assim essa pobreza. No caso desta Odisseiazinha, o problema não é tanto o da erradicação da pobreza, mas a sua utilização como metáfora que denuncia um outro, muito mais actual, o de um deficit de realidade. Cada vez menos se percebe o que é real, a presença dilui-se diariamente. O império do virtual é também o reino da ilusão, no qual a própria certeza de existirmos é uma incógnita que necessita de uma dor, ou de um belisco, para se certificar de não pairar na região sonâmbula das sombras.
Em Marte, há muito frio, neve e enormes monólitos de granito, memórias caladas da Terra, que os homens carregam como fardos. Os agricultores cultivam prodigamente batatas, sonhos de uma existência em que ainda eram heróis capazes de dormir à noite, sem o temor de acordar num mundo diferente na manhã seguinte.
Odisseia Cabisbaixa é uma metáfora do entendimento que fazemos de teatro. Trata-se de entender o teatro como acção cívica para a transformação do mundo e, nesse sentido, o teatro reconfigura a Terra (a ficção científica é, de certo modo, imaginar o futuro com os olhos no presente); quanto mais as personagens se afastam da Terra mais dela se aproximam. A companhia é a célula onde se ensaiam novos mundos numa escala laboratorial: singular e efémera, sem outro resultado que a memória que dela fica.
Quanto à possibilidade de mudança, é acreditar no trabalho e na sorte, que é como quem diz no milagre do Menino Jesus.
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pelo Teatro dos Aloés
de Bernard-Marie Koltès
encenação José Peixoto
com João Lagarto e Jorge Silva
9 a 19 Jul. I Quinta a Domingo I 21h30
M/12
O encontro de um dealer e do seu cliente no meio das trevas de um lugar sem nome, longe dos homens. Um encontro quase sobrenatural onde os medos transbordam e onde os desejos se misturam. O dealer tenta fazer cuspir o desejo do cliente que lhe cospe a recusa na cara: é violento, divertido, irónico este combate em que cada um dos dois tenta defender o que lhe resta de dignidade, altivez e humanidade. Mergulhando num mundo espectacular faz cruzar e confundir dois mundos opostos; o mundo do dealer, o da metáfora e da poesia e o do seu cliente moldado na realidade.
NÃO SEI SE CHEGAREI VIVO À ESTREIA
Apresentação Pública do Clube de Teatro Senior
Direcção de Fernando Nobre
24 e 25 de Julho I 18h30
Objectivo combater a amnésia emocional. Um corpo antigo no tempo e no espaço, um velho, história ambulante de alguém que resiste à gravidade com dificuldade, história ambulante de uma estátua de pedra iluminada por um projector. As crianças têm o caminho da verdade, da sinceridade e curiosidade. Nos vividos, encontro um sentido mais depurado destas qualidades cristalizadas na solidão dos primeiros dias, a experiência da verdade qe quem teve a coragem de abraçar e compreender as imperfeições. Sobrevivência na evolução, regressão da linguagem, falta de respeito dos mais novos?
Não acho que a escolha dos assuntos importantes ou tidos como preocupantes no caso de um clube de teatro deva ser vista de cima para baixo. São deles as histórias e dizem respeito à realidade dos utentes do centro dia dos serviços sociais da santa casa da misericórdia, idades entre os 60 e os 80 anos, para eles o melhor não ficou para o fim.
A cidade e o desenvolvimento empurrou-nos para o imediato, escravos do tempo e da tecnologia. Há coisas que não são imediatas, há coisas que levam tempo e que temos de esperar que aconteçam. O desenvolvimento colocou-nos de costas voltadas e tão simplesmente dizemos que não há tempo a perder com um reformado, ainda por cima doente, seres dispensáveis?...
O que é um cão? O que é o amor? Porque é que um cão ama uma pessoa seja esta estúpida ou desinteressante, mesmo desonesta? Um cão ama e segue o seu dono por vezes kms para o reencontro. Pessoas inteligentes não fumam, não se drogam nem bebem.
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